Boas Práticas no Reprocessamento de Endoscópios

7, qui, nov, 2024 | ENDOSCOPIA, ESTERILIZAÇÃO, MATERIAS

Os procedimentos de endoscopia são muito utilizados para diagnóstico e tratamento de várias doenças do trato gastrointestinal. Para realização dos exames são utilizados os endoscópios, que são aparelhos compostos por canais longos, com design intricado e fabricados com materiais delicados.  

Contudo, devido à sua complexidade e contato direto com mucosas e fluidos corporais, o processamento inadequado desses instrumentos pode levar a infecções nosocomiais, essas características tornam a limpeza dos endoscópios difícil, em 2019 o ECRI (Emergency Care Research Institute) Institute elencou a manipulação incorreta dos endoscópios como o 5º risco tecnológico à saúde. Portanto, é fundamental que os serviços de endoscopia adotem boas práticas de processamento para garantir a segurança dos pacientes e a qualidade dos procedimentos.  

A adoção de boas práticas, aliada ao cumprimento das normas e regulamentações vigentes, é essencial para prevenir infecções e garantir a qualidade dos serviços de saúde. A RDC 6 de março de 2013 dispõe sobre os requisitos de Boas Práticas de funcionamento para os serviços de endoscopia com via de acesso ao organismo por orifícios exclusivamente naturais., estabelece a infraestrutura mínima necessária para o processamento dos equipamentos e acessórios utilizados.  

Tanto a legislação como as diretrizes descrevem os seguintes passos a serem seguidos no processamento de endoscópios: 

  1. Pré limpeza: imediatamente após cada procedimento. Limpeza do tubo de inserção com pano macio, sem fiapos, irrigação de todos os canais com solução de detergente. Transportar em recipiente fechado e rotulado até a área de limpeza. 
  2. Realização do teste de vazamento. 
  3. Limpeza manual: realizar a escovação de todos os canais, botões e válvulas. 
  4. Enxágue: remoção de todo os resíduos de solução com detergente. 
  5. Secagem: remoção do excesso de água da lavagem. 
  6. Desinfecção: processo de desinfecção utilizando solução desinfetante de alto nível. Esse processo pode ser manual ou automatizado. 
  7. Enxágue: enxágue rigoroso para remoção dos resíduos as soluções desinfetantes. 
  8. Secagem: purga de ar medicinal nos canais do endoscópio. 
  9. Armazenamento: guarda do endoscópio que não será utilizado imediatamente em armários específicos com circulação de ar forçada. 
  10. Documentação: O processo de processamento deve ser devidamente documentado, registrando todas as etapas e verificações realizadas. Isso inclui a identificação do endoscópio, os produtos químicos utilizados, os tempos de imersão, e os nomes dos responsáveis pelo processo.

As soluções desinfetantes mais utilizadas são: 

Glutaraldeído: Um desinfetante amplamente utilizado devido à sua eficácia contra uma vasta gama de microrganismos, incluindo bactérias, vírus, fungos e esporos. No entanto, é necessário um manuseio cuidadoso devido ao seu potencial irritante e tóxico. 

Ácido Peracético: Eficaz contra todas as formas de microrganismos, incluindo esporos bacterianos. É utilizado em sistemas automatizados e manualmente, e sua vantagem é a rápida ação desinfetante e a decomposição em substâncias inofensivas (água, oxigênio e ácido acético). 

Orto-ftaldeído (OPA): Um desinfetante de alto nível com eficácia comparável ao glutaraldeído, porém com menor potencial de irritação. É usado frequentemente em sistemas automatizados devido à sua estabilidade e eficácia. 

O detergente enzimático Proteazone Plus e o desinfectante de alto nível ISAS por Single Shot que combina a ação da molécula ISAZONE e do Ácido Peracético para melhor desempenho e resultados.

Vantagens do Processo Automatizado: 

  • Padronização e Consistência: O uso de sistemas automatizados garante que cada ciclo de desinfecção seja realizado de forma idêntica, minimizando erros humanos e variabilidade no processo. Isso resulta em uma limpeza e desinfecção mais consistentes e confiáveis. 
  • Eficiência de Tempo: As lavadoras automáticas reduzem significativamente o tempo necessário para processar cada endoscópio. Enquanto a máquina realiza a desinfecção, os profissionais de saúde podem se concentrar em outras tarefas, aumentando a produtividade geral. 
  • Redução do Risco de Contaminação: O manuseio mínimo dos endoscópios durante o processo automatizado reduz o risco de contaminação cruzada e exposição dos funcionários a agentes patogênicos e produtos químicos desinfetantes. 
  • Documentação e Rastreabilidade: Muitos sistemas automatizados vêm com funções de rastreamento e documentação integradas, registrando automaticamente os ciclos de desinfecção, parâmetros utilizados e identificações dos endoscópios. Isso facilita auditorias e garante conformidade com normas regulatórias. 
  • Segurança do Trabalhador: Com a automação, há menos exposição direta dos trabalhadores aos desinfetantes, que podem ser tóxicos e irritantes. Isso melhora as condições de trabalho e reduz os riscos de saúde ocupacional. 
  • Eficiência de Recursos: Sistemas automatizados são projetados para usar a quantidade ideal de desinfetante e água, resultando em menor desperdício de recursos e custos operacionais reduzidos a longo prazo. 

O processamento adequado de endoscópios em serviços de endoscopia é fundamental para garantir a segurança dos pacientes e a eficácia dos procedimentos. A adoção de boas práticas, aliada ao cumprimento das normas e regulamentações vigentes, é essencial para prevenir infecções e garantir a qualidade dos serviços de saúde. A capacitação contínua dos profissionais e o monitoramento rigoroso dos processos são pilares essenciais para manter altos padrões de segurança e eficácia no processamento de endoscópios. 

A automatização do processo de limpeza e desinfecção de endoscópios traz vantagens significativas, incluindo a padronização e a consistência dos procedimentos, a redução do risco de erro humano, e a melhoria na eficiência operacional. Equipamentos automatizados garantem uma limpeza e desinfecção mais uniforme e eficaz, reduzindo a carga de trabalho dos profissionais e permitindo uma melhor utilização dos recursos. Dessa forma, a implementação de tecnologias automatizadas é um passo importante para otimizar os processos de reprocessamento, contribuindo ainda mais para a segurança e qualidade dos serviços de endoscopia. 

 

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Referências Bibliográficas 

OLIVEIRA¹, Adriana Cristina de; MIRANDA MATI, Maria Letícia de. Fatores relacionados à troca das soluções de desinfecção dos aparelhos endoscópicos. Revista SOBECC, São Paulo, Jan/Mar. 2015; 20(1):24-9 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 15883 - 1: Lavadoras desinfetadoras - Parte 1: Requisitos gerais, termos, definições e ensaios. Rio de Janeiro, 2013. 
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR ISO 15883 – 4: Lavadoras desinfetadoras - Parte 4: Requisitos e testes para lavadoras desinfetadoras empregando desinfecção química para endoscópios termolábeis. Rio de Janeiro, 2023. 
BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 6, de 01 de março de 2013. Dispõe sobre os requisitos de Boas Práticas de Funcionamento para os serviços de endoscopia com via de acesso ao organismo por orifícios exclusivamente naturais. Diário Oficial da União. BRASÍLIA. 2013. Disponível em: https://antigo.anvisa.gov.br/legislacao#/visualizar/28977 
SOBECC (Sociedade Brasileira de Enfermeiros de Centro Cirúrgico, Recuperação Anestésica e Centro de Material e Esterilização). Manual de práticas recomendadas da SOBECC. 8. ed. São Paulo, 2021. 
Steris. Manual do Operador Medivators ISA Dipositivo de lavagem - desinfecção. Itália, 2022. Traduzido por: Sterislatam. 
WORLD GASTROENTEROLOGY ORGANISATION. Atualização da desinfecção de endoscópios: Guia para um reprocessamento sensível aos recursos. Milwaukee: WGO, 2019. Disponível em: https://www.worldgastroenterology.org/UserFiles/file/guidelines/endoscope-disinfection-portuguese-2019.pdf. 
SOBED (Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva). Diretriz: Limpeza, desinfecção, esterilização e armazenamento de aparelhos e acessórios em endoscopia gastrointestinal. AMB (Associação médica Brasileira). 2020. Disponível em: https://amb.org.br/projeto-diretrizes/ 

BEILENHOFF, Ulrike; et all. Reprocessing of flexible endoscopes and endoscopic accessories used in gastrointestinal endoscopy: Position Statement of the European Society of Gastrointestinal Endoscopy (ESGE) and European Society of Gastroenterology Nurses and Associates (ESGENA) – Update 2018. Disponível em: https://www.thieme-connect.de/products/ejournals/abstract/10.1055/a-0759-1629 

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Originally posted 2024-07-25 10:43:01.

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Saiba como garantir a segurança e eficácia dos procedimentos endoscópicos com boas práticas de reprocessamento de endoscopios. Conheça as normas internacionais, para reduzir infecções e aumentar a eficiência em sua unidade de endoscopia.
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